ENTREVISTA

Lito Casara critica visão ambiental dominante e defende integração entre preservação e produção na Amazônia

Em entrevista ao Resenha Política, ex-secretário de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia criticou a ideologização do debate ecológico, defendeu o produtor rural como aliado da conservação e afirmou que a floresta só será preservada de forma duradoura quando gerar riqueza para quem vive na Amazônia.
Redação
Lito Casara critica visão ambiental dominante e defende integração entre preservação e produção na Amazônia

O geógrafo e ex-secretário de Desenvolvimento Ambiental de Rondônia, Lito Casara, afirmou que parte significativa do debate ambiental brasileiro tem sido conduzida sob uma perspectiva ideológica e defendeu uma maior integração entre preservação ambiental e atividade econômica. A declaração foi feita durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira.

Ao comentar o avanço do agronegócio na Amazônia, Casara sustentou que os produtores rurais devem ser vistos como aliados da conservação ambiental e criticou políticas que, segundo ele, priorizam punições ao homem do campo sem oferecer incentivos ou alternativas econômicas sustentáveis. “Os agricultores são os nossos principais aliados na conservação e no bom uso dos recursos naturais”, declarou.

Durante a entrevista, o geógrafo também questionou algumas teses amplamente difundidas sobre os impactos do desmatamento na Amazônia. Segundo ele, a ideia de que a supressão da floresta levaria necessariamente ao fim das chuvas na região não encontra respaldo na realidade observada nas últimas décadas, defendendo que o debate seja conduzido com base em evidências científicas e não em narrativas políticas.

Casara argumentou ainda que a preservação da floresta depende da geração de riqueza para as populações locais. Para ele, atividades ligadas à bioeconomia, ao manejo sustentável e à biotecnologia precisam ganhar espaço na economia amazônica. “Tem que valorizar a floresta em pé, senão ela não fica em pé”, afirmou.

Além das questões ambientais, o entrevistado apresentou o livro Barranco Alto, obra que resgata a trajetória de sua família e a participação de pioneiros na ocupação e no desenvolvimento da região do Vale do Guaporé, em Rondônia.

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