Scheid critica repressão ao garimpo ilegal, pesquisa aponta eleição aberta e apoios de Rocha e Léo Moraes são colocados à prova
COMPREENSÃO
Quem pretende ocupar uma cadeira no Senado precisa compreender que a primeira obrigação de um legislador é defender o cumprimento da lei, não criar constrangimentos para quem a faz valer.
CRIME
Ao criticar operações de combate ao garimpo ilegal e sugerir que a repressão estatal é o problema, o pré-candidato Bruno Scheid escolhe um caminho perigoso. Não se trata de discutir mineração legal, atividade prevista em lei e que merece segurança jurídica. O debate é outro: garimpo ilegal é crime. E crime de alta complexidade. Scheid é um candidato forte e com capilaridade de crescimento é pode vir a ser um dos nossos membros no Senador. Não é crível defender o indefensável apenas de olho no voto.
DEGRADAÇÃO
Não estamos falando apenas de impactos ambientais ou da devastação dos rios amazônicos pelo mercúrio, metal que contamina peixes, populações ribeirinhas e deixa sequelas irreversíveis à saúde. A própria Polícia Federal aponta que essas operações buscam interromper atividades que degradam o meio ambiente e expõem a população a níveis perigosos de contaminação.
CONEXÃO
O garimpo ilegal também se tornou uma engrenagem do crime organizado. Investigações em curso apontam sua conexão com lavagem de dinheiro, evasão de divisas, organizações criminosas, tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e outras modalidades de criminalidade que financiam estruturas ilícitas na Amazônia.
VIOLAÇÃO
É evidente que existem trabalhadores que ingressam nessa atividade por falta de oportunidades. Essa realidade merece políticas públicas. Mas não se combate exclusão social enfraquecendo a repressão contra organizações criminosas que lucram bilhões às custas da destruição ambiental e da violação da lei.
COERÊNCIA
Curiosamente, o próprio Bruno Scheid costuma defender que invasão de propriedade rural não pode ser aceita porque a lei deve prevalecer. É um argumento coerente. A mesma coerência deveria valer para o garimpo ilegal. Se a lei precisa ser respeitada no campo, também precisa ser respeitada nos rios e nas áreas de exploração mineral.
BIOMBO
Um senador pode defender mudanças na legislação mineral, simplificar licenças, estimular a mineração regular ou propor novas regras para o setor. Isso faz parte do debate democrático. O que não parece compatível com o cargo é transformar quem combate atividades criminosas no alvo principal das críticas. A defesa do desenvolvimento da Amazônia não pode servir de biombo para relativizar crimes ambientais ou econômicos.
ELEMENTAR
Quem deseja legislar para o país deveria ser o primeiro a separar o garimpeiro legal do criminoso que atua à margem da lei. Num Estado como Rondônia, onde a mineração tem importância econômica, esse equilíbrio é indispensável. Defender a atividade legal é uma coisa. Colocar sob suspeita as ações contra o garimpo ilegal é outra completamente diferente. Para quem pretende ser senador da República, a distinção deveria ser elementar.
EMPATE
A pesquisa Real Time Big Data, registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número RO-04369/2026 e divulgada nesta quinta-feira pelo site Rondônia Dinâmica, confirma aquilo que os bastidores da política rondoniense já sussurravam: a sucessão estadual caminha para uma disputa de alta tensão. No primeiro turno, Marcos Rogério (PL) lidera com 36% das intenções de voto, seguido por Adaílton Fúria (PSD), com 28%, enquanto Hildon Chaves aparece com 13%.
ACIRRAMENTO
O dado que mais chama a atenção, porém, está na simulação de segundo turno. Marcos Rogério alcança 44%, contra 40% de Adaílton Fúria. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, o cenário caracteriza um empate técnico e antecipa uma reta final marcada pelo equilíbrio. Embora leve uma vantagem maior em relação ao Hildon Chaves, com o decorrer da campanha, é um candidato para ser elevado à sério pela capacidade de resiliência que demonstra possuir.
DIÁLOGO
A liderança do senador permanece consolidada, mas a pesquisa também sugere que vencer no segundo turno será um desafio bem maior do que liderar o primeiro. Afinal, eleições majoritárias costumam exigir capacidade de ampliar alianças e dialogar com um eleitorado mais amplo do que o núcleo de apoiadores.
DIFERENÇAS
É justamente aí que reside o principal teste para ambos os finalistas. Marcos Rogério precisará romper qualquer percepção de candidatura restrita ao eleitorado mais ideológico, apresentando propostas exequíveis e um discurso capaz de conquistar o centro político. Já Adaílton Fúria terá de demonstrar que seu crescimento não é apenas um movimento conjuntural, mas uma alternativa consistente de governo. E Hildon repetir a resiliência eleitoral. Aliás, os ataques estão se revelando inócuos.
DIFERENCIAL
Os debates, inevitavelmente, ganharão peso decisivo. Não bastará atacar o adversário. O eleitor deverá exigir preparo administrativo, equilíbrio emocional e capacidade de apresentar soluções concretas para os problemas históricos de Rondônia. Aliás, os ataques em curso tem se revelado inócuos. Embora candidatos insistam em manter como estratégia eleitoral visando desqualificar o adversário. Algo que não tem surtido o efeito que causava no passado antes do advento da internet.
FAVORITISMO
Ainda há semanas de campanha pela frente, e pesquisas retratam apenas o momento em que são realizadas, não o resultado das urnas. Mas uma conclusão já parece inevitável: existe um teto eleitoral que todos precisarão romper se quiserem alcançar uma vitória confortável. Até aqui, a fotografia da sucessão revela uma eleição aberta, competitiva e, ao que tudo indica, uma das mais disputadas da história recente de Rondônia. Não há favoritos, mas é possível intuir aquele com mais dificuldades para ampliar no segundo turno.
OS PESOS
Outro aspecto que merece acompanhamento permanente é o impacto das alianças políticas sobre o desempenho dos candidatos. Até aqui, o apoio do governador Marcos Rocha à candidatura de Adaílton Fúria não produziu uma transferência perceptível do desgaste da atual administração estadual para o ex-prefeito de Cacoal. Isso, porém, não significa que esse fenômeno esteja descartado. Ao contrário, trata-se de um movimento que deverá ser monitorado ao longo da campanha.
RESPONSABILIDADE
Os problemas acumulados nas áreas da saúde e da segurança pública tornaram-se mais visíveis aos olhos do eleitor. Embora Fúria não tenha responsabilidade direta por essas deficiências, o fato de carregar o apoio oficial do governo poderá obrigá-lo a responder por questões cuja origem não lhe pertence. É o preço político de receber um padrinho eleitoral: herda-se não apenas a estrutura e o prestígio, mas também os ônus da gestão. A questão fiscal que os adversários insistem abordar está longe das prioridades do eleitor em razão do tecnicismo. Isto não impacta a campanha.
APOIOS
No campo adversário, outro teste importante será medir a capacidade do prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, de transferir sua popularidade para Marcos Rogério. A capital concentra parcela significativa do eleitorado, e o desempenho do senador nesse colégio eleitoral poderá ser decisivo para consolidar sua liderança ou ampliar sua vantagem rumo ao segundo turno. Apoio político nem sempre se converte automaticamente em votos, e essa será uma das variáveis mais observadas pelos estrategistas.
REPLICANDO
Já Hildon Chaves enfrenta um desafio distinto. Sua campanha dependerá muito mais da própria capacidade de apresentar seu legado administrativo do que da força de alianças. Ex-prefeito de Porto Velho por dois mandatos, Hildon precisará convencer o eleitor do interior de que a gestão eficiente atribuída à capital pode ser replicada em todo o Estado.
BARREIRA
O maior obstáculo do ex-prefeito da capital continua sendo o desconhecimento fora dos grandes centros urbanos. Se conseguir romper essa barreira, poderá tornar a disputa ainda mais competitiva. Caso contrário, permanecerá limitado a um desempenho abaixo do potencial que muitos analistas lhe atribuem. E precisa melhorar o desempenho na capital onde é conhecido pelas obras entregues. No momento, a popularidade de Léo Moraes e adversário visceral, impacta no desempenho. A eleição, agora, esta na rua com as convenções partidárias.