ELEIÇÕES

ROMPIMENTO À VISTA? FÚRIA E ROCHA, E A VELHA FÁBULA DO SAPO E DO ESCORPIÃO

Informações publicadas por Herbert Lins apontam que Adailton Fúria estaria ensaiando um afastamento do governador Marcos Rocha
Milton Junior
ROMPIMENTO À VISTA? FÚRIA E ROCHA, E A VELHA FÁBULA DO SAPO E DO ESCORPIÃO

Episódio reacende discussão sobre lealdade, conveniência e sobrevivência política em Rondônia.

A política de Rondônia pode estar diante de mais um capítulo de uma relação que começou com apoio público, atravessou a construção de uma candidatura ao Governo e agora dá sinais de desgaste.

É importante estabelecer desde o início de onde partem essas informações. Segundo o que o colunista Herbert Lins escreveu em sua coluna e o conteúdo repercutido pelo jornalista Juan Pantoja, do site Eu Ideal, os bastidores da campanha de Adailton Fúria indicariam movimentos de distanciamento político do governador Marcos Rocha.

Nesta quinta-feira (4), Herbert Lins escreveu ter recebido informações de bastidores segundo as quais Fúria “estaria ensaiando um rompimento” com Marcos Rocha. O próprio colunista condiciona a análise à confirmação desse movimento, portanto, neste momento, não se deve apresentar o rompimento como fato consumado. 

De aliado a um possível distanciamento

A situação chama atenção justamente pelo histórico dessa relação.

Em março, o site Eu Ideal noticiava Adailton Fúria como pré-candidato ao Governo de Rondônia com o apoio de Marcos Rocha.  Meses depois, a relação entre o candidato e o governador passou a ser objeto recorrente do noticiário e das colunas políticas.

Em 28 de julho, Herbert Lins já analisava declarações de Fúria sobre a influência de Rocha em sua eventual gestão.  Em agosto, a coluna voltou ao assunto sob o título “Fúria nega Rocha três vezes no debate”, demonstrando que o grau de proximidade entre candidato e governador já havia se transformado em questão política durante a campanha. 

Agora surge um novo ingrediente.

Segundo o que o colunista Herbert Lins escreveu em sua coluna, informações recebidas dos bastidores indicariam que Fúria estaria ensaiando um rompimento com Rocha numa tentativa de se desvincular da imagem de candidato governista. Essa é a versão publicada pelo colunista, e não uma constatação independente do Resenha Política. 

O sapo e o escorpião

É nesse cenário que uma velha fábula ganha atualidade.

O escorpião precisa atravessar um rio e pede ao sapo que o carregue. O sapo hesita, temendo ser picado. O escorpião argumenta que isso não faria sentido: se atacasse o sapo durante a travessia, ambos morreriam.

O sapo aceita.

No meio do rio, vem a ferroada.

A história atravessou gerações porque fala de confiança, natureza e consequências.

E aqui a comparação deve ser entendida exatamente pelo que é: uma metáfora editorial, não a afirmação de que Adailton Fúria tenha praticado uma traição.

Mas a sucessão de episódios relatados pela imprensa permite fazer uma pergunta política: se o rompimento mencionado por Herbert Lins realmente ocorrer, como será interpretado o afastamento de um candidato que chegou à disputa estadual contando justamente com o apoio político de Marcos Rocha?

A essência ou a conveniência?

A política é dinâmica. Alianças terminam. Projetos divergem. Candidatos buscam identidade própria. E ninguém está politicamente condenado a permanecer eternamente ao lado de quem um dia lhe ofereceu apoio.

O que o eleitor pode cobrar é coerência.

Por isso, caso se confirme o movimento relatado por Herbert Lins, a questão ultrapassará a simples separação entre dois políticos. Será necessário compreender por que ocorreu, quando começou e quem decidiu mudar o curso dessa travessia.

A metáfora do sapo e do escorpião aparece justamente aí.

Não para definir antecipadamente quem seria o sapo ou o escorpião, mas para provocar uma pergunta: na política, quando uma aliança termina no momento em que passa a representar um custo eleitoral, estamos diante de uma divergência legítima ou da velha lógica da conveniência?

Por enquanto, existe um relato de bastidores publicado por Herbert Lins, não a confirmação pública de um rompimento definitivo. 

O Resenha Política acompanhará o caso e mantém espaço aberto para que Adailton Fúria e o governador Marcos Rocha apresentem suas versões.

Porque, antes de decidir quem é o sapo e quem é o escorpião, existe uma obrigação maior: deixar os fatos atravessarem o rio.

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