PF mira braço-direito de candidato a governador em investigação sobre fundo eleitoral
A Polícia Federal deflagrou, em Porto Velho, Ji-Paraná e Nova Mamoré, a Operação Dreno, que apura desvio de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (fundão eleitoral) nas eleições municipais de 2024.
No centro da apuração estão os irmãos Anderson e Sharleston Cavalcante de Oliveira, sócios do escritório Acotec Contabilidade — Sharleston foi assessor parlamentar do senador Marcos Rogério (PL) até agosto, com salário de R$ 33,5 mil pago pelo Senado, e é descrito pela imprensa local como o braço direito e homem das finanças do senador.
Segundo a investigação, candidatos do PL em pelo menos quatro municípios (Nova Mamoré, Presidente Médici, Primavera de Rondônia e São Francisco do Guaporé) supostamente receberam recursos do fundo eleitoral e repassaram valores idênticos ao escritório sob a rubrica de "assessoria contábil" — um padrão que a PF suspeita ter servido para desviar dinheiro público para terceiros.
O próprio PL destinou R$ 564 mil ao escritório dos irmãos Cavalcante.
A operação já provocou dois efeitos práticos: o prefeito Marcélio Brasileiro, coordenador da atual campanha de Marcos Rogério, anunciou afastamento "voluntário" da campanha (mantendo o cargo de prefeito); Anderson Cavalcante foi exonerado da Secretaria de Fazenda de Ji-Paraná.
É importante frisar, por rigor jornalístico: trata-se de fase de investigação, sem indiciamento formal até o momento, e a apuração se refere às eleições municipais de 2024. Não há, até aqui, indicação de que a campanha estadual de 2026 seja objeto da investigação.