Léo Moraes acusa governo de virar as costas para Porto Velho e cobra mudança nas eleições
O prefeito de Porto Velho, Léo Moraes (Podemos), criticou a relação do governo estadual com a capital e defendeu uma mudança de postura a partir das eleições. Na segunda parte da entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira, afirmou que parlamentares recebem votos no município, mas deixam de destinar recursos para atender às necessidades da população.
“Não faz sentido um governo que diz ser municipalista ficar de costas da capital de um Estado. Então eu espero que mude”, declarou. Ao comentar a sucessão estadual, Léo disse que a troca de governador, por si só, não garante uma mudança na condução das políticas públicas.
“Eu espero que tenha uma mudança e que o próximo governador pense bem diferente do atual”, afirmou. Segundo o prefeito, a capital precisa de um governo disposto a trabalhar em conjunto com a administração municipal. Ele disse manter uma boa relação pessoal com o governador, mas criticou o que considera falta de apoio efetivo à cidade.
A cobrança também foi dirigida à Assembleia Legislativa. Léo afirmou que há deputados estaduais que concentram a votação em Porto Velho e destinam uma parcela pequena de suas emendas ao município. Citou, sem identificar o parlamentar, o exemplo de um deputado que teria recebido 90% dos votos na capital, mas investido menos de 8% dos recursos disponíveis na cidade.
“Deputado que faz 10 mil votos, 11 mil votos em Porto Velho, deputado estadual que faz 9 mil votos, 13 mil votos em Porto Velho não destina um real para o município. Pra onde é que vai esse recurso?”, questionou.
Léo disse que a falta de repasses limita investimentos em pavimentação, escolas, unidades de saúde e mobilidade. Como exemplo, afirmou que o projeto do viaduto no cruzamento das avenidas Rio Madeira e Imigrantes está pronto, mas depende de financiamento para sair do papel.
“Ali na Rio Madeira, o projeto tá pronto. Eu preciso de recursos, eu preciso desses parlamentares”, declarou. O prefeito também cobrou andamento de projetos sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e mencionou intervenções para melhorar o fluxo na avenida Jorge Teixeira e ampliar os acessos à zona sul.
Apesar das críticas, reconheceu o envio de recursos por integrantes da bancada federal. Destacou o apoio de Coronel Chrisóstomo, Fernando Máximo e Cristiane Lopes, além do trabalho de Sílvia Cristina na saúde. Também citou repasses dos senadores Confúcio Moura, Jaime Bagattoli e Marcos Rogério.
Na segurança pública, Léo afirmou que houve uma tentativa, nos bastidores, de retirar a atividade delegada, pela qual a prefeitura remunera policiais militares para reforçar o policiamento. Não identificou os responsáveis pela iniciativa. Segundo ele, o programa Comércio Protegido foi criado após comerciantes procurarem a administração em razão de arrombamentos.
Ao tratar das eleições para o Senado, o prefeito cobrou uma atuação que vá além das disputas ideológicas. Defendeu que os representantes mantenham suas convicções, mas também respondam a problemas como a assistência à saúde e o atendimento a pacientes com câncer.
“Você mantém a sua ideologia, as suas convicções doutrinárias, mas você atende e assiste ao povo. Nós somos empregados de toda a população”, afirmou.
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