Diretor do Cemetron defende telemedicina para ampliar atendimento em comunidades isoladas da Amazônia
O médico infectologista Dr. Sérgio Basano, diretor-geral do Centro de Medicina Tropical de Rondônia (Cemetron), afirmou que a telemedicina pode se tornar uma ferramenta importante para ampliar o acesso à saúde em regiões remotas da Amazônia. Durante entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira, o especialista explicou que um projeto piloto desenvolvido com pesquisadores tem utilizado tecnologia e internet para atender comunidades ribeirinhas afastadas dos centros urbanos. Segundo ele, a iniciativa permite consultas em tempo real, com apoio de agentes comunitários treinados para realizar procedimentos básicos e encaminhar casos mais graves.
Basano destacou que o projeto começou com visitas presenciais às comunidades para mapear pacientes e criar histórico clínico, o que possibilita posteriormente o acompanhamento remoto. De acordo com o infectologista, a estratégia já auxiliou inclusive em situações de urgência, como a identificação de casos de apendicite e acidentes com animais peçonhentos, permitindo o acionamento rápido de equipes de saúde e transporte para atendimento especializado.
Durante a entrevista, o diretor do Cemetron também comentou sobre a evolução de doenças tropicais em Rondônia. Ele lembrou que, nas décadas de 1980 e 1990, a malária era um problema muito mais frequente na região, chegando a dezenas de atendimentos diários em hospitais especializados. Atualmente, embora ainda exista circulação da doença, o número de casos diminuiu significativamente em comparação ao período de maior migração e abertura de áreas na floresta amazônica.
O infectologista ainda analisou questões estruturais da saúde pública e do ensino médico no Brasil. Para ele, a ampliação de cursos de medicina foi necessária para atender à demanda populacional, mas a expansão acelerada e com forte componente comercial exige maior fiscalização e planejamento. Basano também avaliou que a formação médica deve priorizar experiências práticas e contato direto com pacientes, destacando que a medicina, além de ciência, é uma atividade profundamente humana.
Assista à entrevista: