ENTREVISTA

“Eu não fui demitido; eu fui expulso”, diz ex-juiz que atribui saída da magistratura ao racismo estrutural no TJ-RO

Ex-juiz substituto Robson José dos Santos, que teve o não vitaliciamento confirmado pelo Tribunal de Justiça de Rondônia, afirma ter sido alvo de racismo estrutural e rebate acusações que embasaram sua exclusão da carreira.
Redação
“Eu não fui demitido; eu fui expulso”, diz ex-juiz que atribui saída da magistratura ao racismo estrutural no TJ-RO

O ex-juiz substituto do Tribunal de Justiça de Rondônia, Robson José dos Santos, afirmou em entrevista ao podcast Resenha Política, apresentado pelo jornalista Robson Oliveira, que considera injusta a decisão que resultou em seu não vitaliciamento e consequente desligamento da magistratura. Primeiro magistrado negro retinto, segundo sua própria declaração, entre os juízes de primeiro grau do estado, ele sustentou que o caso ultrapassa sua situação individual e levanta debate sobre a permanência de pessoas negras no Judiciário brasileiro.

Durante a entrevista, Robson rebateu as acusações que embasaram o processo administrativo que culminou em sua saída da Corte, classificando parte dos relatos como baseados em “ouvir dizer” e negando condutas que lhe foram atribuídas, como suposta proximidade inadequada com detentos. O ex-magistrado reconheceu decisões controversas tomadas durante sua atuação, mas argumentou que suas ações foram motivadas por interpretação humanitária da legislação e dos direitos assegurados a pessoas privadas de liberdade.

Ao longo da conversa, Robson também afirmou ser vítima de racismo estrutural, citando estereótipos associados à sua origem humilde e à cor da pele. Natural de Recife, ele relembrou a trajetória antes da carreira jurídica, quando trabalhou como pipoqueiro, e disse que sua história foi usada para alimentar narrativas distorcidas sobre seu comportamento funcional. Segundo ele, não há qualquer acusação relacionada a corrupção, venda de sentença ou enriquecimento ilícito.

Questionado sobre episódios específicos apontados no processo, como decisões em audiências de custódia, visitas a unidades prisionais e medidas voltadas à estrutura carcerária, o ex-juiz defendeu que atuou dentro de prerrogativas legais e reafirmou que recorrerá da decisão administrativa. Também citou a existência de supostos episódios de discriminação dentro do ambiente institucional, tema que, segundo ele, deveria ser apurado com profundidade.

Assista na íntegra.

 

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