Será que mulher representa mulher?
Fala-se muito sobre a presidência da Comissão de Direitos das Mulheres que recentemente foi ocupada pela Deputada Federal Erika Hilton, uma mulher trans que representa, simbolicamente, a ampliação dos espaços de voz e representatividade feminina no Parlamento brasileiro.
Mas, essa polêmica que gerou inúmeras discussões em rodas de conversas a canais de comunicação, não ficou só atrelada só a Brasília, não!
Aqui em Porto Velho vivemos uma reflexão importante: como compreender uma Comissão de Direitos da Mulher comandada majoritariamente por um homem?
A discussão não é sobre impedir a participação masculina nas pautas femininas. Homens aliados são importantes na construção de políticas públicas e no combate à violência contra a mulher.
O verdadeiro debate está na representatividade.
Porque representatividade não é apenas ocupar cadeiras. É compreender vivências, dar espaço de fala, garantir escuta qualificada e permitir que mulheres estejam nos lugares de decisão sobre pautas que impactam diretamente suas vidas.
Quando mulheres ainda encontram dificuldade para serem ouvidas dentro das próprias estruturas legislativas criadas para protegê-las, surge um questionamento legítimo: estamos construindo participação efetiva ou apenas mantendo estruturas tradicionais com nova roupagem?
A pauta feminina não pode existir apenas como símbolo institucional. Ela precisa de protagonismo, autonomia e voz ativa das próprias mulheres.