RESENHA POLÍTICA

Marcos Rogério e o “salto alto”, herdeiros políticos ganham espaço e Diego Paiva analisa crise no STF

Coluna analisa a euforia em torno do candidato do PL, o avanço de nomes ligados a famílias tradicionais da política rondoniense e a participação do constitucionalista Diego Paiva no debate sobre a crise no Supremo.
Robson Oliveira
Marcos Rogério e o “salto alto”, herdeiros políticos ganham espaço e Diego Paiva analisa crise no STF

CORDÃO

Já começaram a aparecer as chamadas “luas pretas” em torno do candidato do PL ao governo. São os asseclas que sempre orbitam os candidatos que despontam nas pesquisas, são bajuladores profissionais e especialistas em transformar vantagem momentânea em certeza de vitória. Dizem que conhecem todos os atalhos da campanha, cultivam fofocas como quem cultiva informação e, invariavelmente, confundem arrogância com estratégia.

ARROGANTES

Bastou uma pesquisa telefônica apresentar números elevados, destoando do que se ouve nas ruas, favorável a Marcos Rogério, para essa turma começar a espalhar que a eleição já acabou e que o primeiro turno seria apenas uma formalidade. Não aprendem. A arrogância está arraigada em suas entranhas.

BIRUTAS

O próprio Marcos Rogério, ao que parece, tomou o cuidado de não repetir o figurino de superioridade que marcou a eleição passada e terminou produzindo resultados desastrosos. O problema é que candidato pode até controlar a própria postura; controlar a euforia dos que o cercam é outra história. E são figuras carimbadas que mudam de lado conforme a biruta de aeroporto.

DIÁLOGO

A esta coluna, podem cobrar depois: aposto um real contra mil contos que esta eleição será decidida em segundo turno. Não há, até aqui, qualquer sinal objetivo de que a disputa possa terminar na primeira rodada. Nem vantagem suficientemente elástica entre os primeiros colocados, nem um cenário de estabilidade eleitoral que autorize tamanha euforia. Há um eleitor silenciado e observando a eleição e é com ele que os candidatos deveriam dialogar.

SALTO ALTO

O dado mais incômodo para os que já estão soltando foguetes é justamente o eleitor que ainda pode mudar de voto, somado àquele que sequer decidiu em quem votar. É gente suficiente para transformar fotografia de pesquisa em retrato antigo. E eleição não perdoa salto alto. Um pequeno erro de arrogância pode produzir um enorme prejuízo na urna.

CONFUSOS

Rondônia, aliás, tem memória suficiente para ensinar isso. É pródiga em fabricar sustos, ressuscitar candidaturas desacreditadas e empurrar azarões pela reta final. Portanto, seria prudente guardar os foguetes. Pesquisa serve para medir o momento, não para dispensar a campanha. Quem confunde fotografia com filme costuma descobrir, tarde demais, que eleição é uma criatura muito menos obediente do que seus cabos eleitorais imaginam. E o primeiro turno ainda está longe de terminar.

FAVORITOS

Há uma curiosidade nesta eleição de Rondônia que começa a ganhar contornos de fenômeno político: algumas candidaturas com raízes familiares estão tomando corpo, forma e musculatura eleitoral. Paulo Moraes, irmão de Léo Moraes; Juliana Fúria, esposa de Adailton Fúria; Wiveslando Neiva, filho de Ezequiel Neiva; Lebrinha, filha de Lebrão; Ieda Chaves, esposa de Hildon Chaves; e Mariana Carvalho, irmã de Maurício Carvalho, são exemplos de uma engrenagem que parece funcionar melhor quando o sobrenome já vem com eleitorado, relações e memória.

ARRANQUE

Não se trata de dizer que parentesco garante eleição. Não garante, embora ajude. Mas seria ingenuidade ignorar que ele oferece uma largada que candidatos desconhecidos precisam gastar anos para construir. O sobrenome abre portas, facilita alianças, reduz a distância entre o candidato e as estruturas políticas e, sobretudo, entrega ao eleitor uma referência conhecida.

PATRIMÔNIO

É aí que a política deixa de ser apenas disputa de ideias e passa a revelar uma característica antiga da vida pública brasileira: a capacidade das famílias de transformar influência política em patrimônio que atravessa gerações. Rondônia não inventou a fórmula. Apenas parece estar reproduzindo, em escala amazônica, um velho modelo nacional. O casal Raupp e Marinha por anos venceram juntos eleições.

EXEMPLOS

No Maranhão, os Sarney atravessaram décadas com pai, filhos e netos ocupando posições de poder. Em Alagoas, os Calheiros construíram uma presença familiar que alcançou diferentes cargos e gerações. No Pará, os Barbalho fizeram do sobrenome uma das marcas mais reconhecíveis da política estadual. No Ceará, os Ferreira Gomes também demonstraram como uma família pode ocupar simultaneamente diferentes espaços da vida pública. Estudos acadêmicos tratam esse fenômeno como dinastias políticas e mostram que a presença de parentes na política brasileira não é exceção, mas uma característica recorrente. Paulo Moraes, Wiveslando, Ieda e Lebrinha as chances são enormes de êxito.

PORTFÓLIO

A questão mais interessante, portanto, não é perguntar se família ajuda. Evidentemente ajuda. A pergunta é outra: até onde vai a influência familiar e onde começa a competência individual do herdeiro político? Porque sobrenome pode abrir a porta, mas não deveria ser confundido com mandato. O eleitor pode comprar a marca da família, mas não é obrigado a comprar o produto. É preciso reconhecer que alguns deles têm portfólio a apresentar porque ocuparam cargos e fizeram algumas coisas. Outros não.

STF

Quando a Suprema Corte abandona a condição de instância última da razão jurídica e passa a ocupar o centro da disputa pelo poder, instala-se uma das mais perigosas perversões do Estado de Direito: a Justiça deixa de ser o limite metafísico do arbítrio e começa, ela própria, a flertar com a sua linguagem. Nesse momento, a toga já não simboliza apenas autoridade; passa a carregar o peso da suspeita de que o guardião da Constituição possa ter se tornado parte daquilo que deveria limitar.

COMENTÁRIO

O constitucionalista rondoniense Diego Paiva, doutor em matéria constitucional, participou ao vivo do telejornal SBT NEWS, comentando de forma brilhante sobre a crise que se instalou no STF. Diego é professor universitário, membro da Academia Rondoniense de Letras, e palestrante em diversos fóruns sobre constitucionalismo no Brasil e no Estrangeiro.

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